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sábado, 22 de setembro de 2018

Se isto é o Porto...

O Porto do século 21 está a transformar-se no Porto da Idade Média.

Os bárbaros invadem as suas ruas, eufóricos e embriagados. Os nobres, de mão dada com os padres, dão pública mostra da sua castidade, censurando os corpos nus. Ao mesmo tempo, incentivam os burgueses a violar a natureza virgem. O povo, manso, paga a dízima e assiste ao festim. Haja francesinhas, futebol e vinho verde!

Foto André Rodrigues / Público.
As gruas sinalizam, bem alto, a vitória dos donos disto tudo. Os autarcas, cobardes, discutem entre si quem tem mais culpa. Têm todos, não têm?

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Os iluminados

Na linha do pessimismo positivo que este blogue adotou, dedico agora alguma atenção à questão da eficiência energética, um tema que, a par das alterações climáticas, economia circular e descarbonização, integra o mainstream das políticas ambientais dos nossos dias.

Foto Shutterstock

Está em curso, em Portugal e na Europa, um colossal processo de investimento em eficiência energética de infraestruturas e equipamentos públicos e edifícios de todo o tipo. Há fundos comunitários envolvidos, há instrumentos financeiros específicos, há comunidades público-privadas dedicadas a estudar, projetar, reabilitar e a fazer outras coisas terminadas em "ar" que, entre outras iniciativas, estão a cobrir o país de iluminação do espaço público e edifícios assente na tecnologia LED (Light Emitting Diode).

Ainda a procissão vai no adro (ou seja, ainda há milhões e milhões para gastar), mas já se começam a confirmar sinais de que esse caminho está cheio de armadilhas. Este alerta da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto, por exemplo, não é caso único (ver: “Último grito” da iluminação está a tornar a noite mais dia com efeitos na saúde).

Como é habitual, o problema não está na tecnologia em si, mas no seu uso generalizado sem a devida ponderação dos efeitos na saúde humana, nos ecossistemas e no ambiente: aumento da poluição luminosa a grande distância, perturbações do sono (que implicam maiores riscos de depressão, obesidade, diabetes e potenciam os cancros de origem hormonal), desorientação das aves migratórias, diminuição do número de insetos, etc.

E assim, à boleia do dinheiro fácil, se vai fazendo o futuro das cidades, das políticas públicas e da nossa sociedade.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Um não-lugar


O conceito de não-lugar foi desenvolvido pelo etnólogo e antropólogo francês Marc Augé no seu livro de 1992 Non-lieux (Não-lugares - Introdução a uma Antropologia da Sobremodernidade). O Google Books diz isto:
O não-lugar é diametralmente oposto ao lar, à residência, ao espaço personalizado. É representado pelos espaços públicos de rápida circulação, como aeroportos, rodoviárias, estações de metro, e pelos meios de transporte - mas também pelas grandes cadeias de hotéis e supermercados. Só, mas junto com outros, o habitante do não-lugar mantém com este uma relação contratual representada por símbolos da supermodernidade, seja um bilhete de metro ou avião, cartões de crédito ou o cartão telefónico, além de documentos - passaporte, carteira de motorista ou qualquer outro-, símbolos que, enfim, permitem o acesso, comprovam a identidade, autorizam deslocamentos impessoais. Neste livro, Marc Augé abre novas perspetivas, propondo uma antropologia da supermodernidade que nos introduz ao que talvez seja uma etnologia da solidão.
Mas há outro tipo de não-lugar, como o que fica aqui na rua ao lado de minha casa. É um buraco com uma placa informativa a condizer.





Não desesperemos. Em dois mil e qualquer coisa saberemos exatamente o que é mais este sinal da prosperidade económica nacional.